Segunda-feira, Dezembro 31, 2007

Dia 109 - Happy New Year!!!

Por que a Luz?

Porque ela é referência, esperança...encontrá-la apazigua meu coração.

Prova que não há escuridão sem luz, ponto de equilíbrio.

Quando se ver no escuro lembre-se...sempre há uma luz, ela se chama esperança...

Mas para visualizá-la não basta querer, temos que sentir e perseverar...

Que sua luz não se apague, que nunca deixe de acreditar que pode ser melhor,

Se não ganhamos, também não perdemos porque sempre aprendemos a ser mais...humanos!

Feliz 2008!!!

Quinta-feira, Dezembro 20, 2007

Dia 108 - Feliz Natal!!!


Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.

Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.

Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.

A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.

A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.

Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.

O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.

Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.

A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.

O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.

E será Natal para sempre.


Ah! Seria ótimo se os sonhos do poeta se transformassem em realidade.

Carlos Drummond de Andrade

Texto extraído do livro "Cadeira de Balanço", Livraria José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1972, pág. 52.

Domingo, Dezembro 16, 2007

Dia 107 - Diário de um dia de domingo

Acordo tarde porque dormi tarde.

Tomo café porque adoro café.

Assisto TV porque na manhã de domingo passam meus programas preferidos.

Curto a preguiça porque assim me permito, mas sou livre para gastar como quiser minha manhã após o café.

Almoço, comida de domingo, muitas vezes não faltam o macarrão e a galinha, coca-cola, mas não de latinha, litro, porque é domingo.

Sol quente e a pergunta pertinente: O que fazer na tarde de domingo?

Mil possibilidades dentro das minhas condições de humanidade, mas escolho pelo que me couber ao bolso, pois cada passeio custa mais que o café e o almoço.

Brinco com o gato, coitado! Por muito tempo vive ao lado e no seu silêncio me diz que o cuidado não deve ser dispensado só no domingo.

Quente, pouca gente, mas contente, amanhã é segunda, mas hoje é domingo - pensamentos de uma ansiosa.

Ouço música...canto errado...acho graça, mas disfarço...sonho um pouquinho, viajo...sinto saudade e relembro vontade...fico ansiosa e depois me acalmo...olho a hora, mas finjo que não vi, não quero saber onde fica o fim, deste domingo esticado.

Digito umas letras em meu Blog, mando alguns e-mails para quem me é querido, conto histórias das quais acredito e passo a lembrar a todos que hoje é domingo.

E por hora pego a magrela (minha bicicleta) e escolho pedalar, porque em velocidade me sinto livre, me distraio, penso que posso ir onde quiser, não importa o dia que é, se é domingo ou segunda, terça, quarta ou o que vier, só sinto que ir depende somente de minhas pernas e da minha vontade, há um mar de possibilidades...

E por um momento ele se vai, o domingo, e o prazer me domina e penso que hoje é apenas mais um dia que se termina e que amanhã pode ser mais...

Daqueles que escolho sair e trabalhar, mas sem nada a perder e tudo a ganhar, pois afinal é a segunda. Segunda chance...de viver e não simplesmente passar. Mas amanhã, porque o hoje ainda me pertence e é domingo...e ainda falta o jantar para o sono então me sossegar.

Terça-feira, Dezembro 11, 2007

Dia 106 - Meu desejo...


Satânico é meu pensamento a teu respeito, e ardente é o meu desejo de apertar-te em minha mão, numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem.
A noite era quente e calma, e eu estava em minha cama, quando, sorrateiramente, te aproximaste.
Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu, sem o mínimo pudor! Percebendo minha aparente indiferença, aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos. Até nos mais íntimos lugares.
Eu adormeci.
Hoje quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão.
Deixaste em meu corpo e no lençol provas irrefutáveis do que entre nós ocorreu durante a noite.
Esta noite recolho-me mais cedo, para na mesma cama, te esperar.
Quando chegares, quero te agarrar com avidez e força.
Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos.
Só descansarei quando vir sair o sangue quente do seu corpo.
Só assim, livrar-me-ei de ti, pernilongo Filho da Puta!!!!

(Carlos Drumond de Andrade)
Pensou que era o quê?....rsrsrsrs...Beijos

Dia 105 - Sopa de letrinhas


A dias não consigo escrever...pode ser fase, não sei...mas o fato é que estou com muitas palavras e poucas frases formadas, tenho muitos temas e nenhuma dissertação, a dias assim...feito sopa de letrinhas...


Mas apesar de não conseguir condensar essa sopa, não deixo de sentir o que me rodeia e a vontade de expressar estes sentimentos permanece, deixo aqui, minhas desculpas, mas não qualquer conteúdo...espero que as letrinhas soltas colaborem e me ajudem a colocar em ordem estes meus pensamentos...enquanto, tomo a liberdade e pego emprestado palavras de quem já as gravou na pedra do tempo.


Beijos! Geo


Quarta-feira, Dezembro 05, 2007

Dia 104 - Desafio

O querido José Gonçalves do Blog Por entre montes e vales me lançou o desafio de escrever 10 frases que falem um pouco de mim, não há ordem e nem grau de importância pois gosto de tudo que irei relatar, escrevi o que me passou no momento, como segue:




- Adoro andar de pés descalços na areia da praia, sentir a terra, ouvir o mar;

- Amo conversar, compartilhar com pessoas, me enriquece a alma;

- Admiro o belo, e nada tem haver com beleza, mas sim com os detalhes;

- Dançar, adoro dançar, qualquer música, até em casa, basta que a música me toque;

- Andar de bicicleta em velocidade, me sinto pássaro, me sinto livre;

- Queijo e goiabada (ou marmelada), mistura perfeita, feito Romeu e Julieta;

- Chocolate, meu fraco, meu refúgio, minha perdição...rsrsrs;

- Escrever, me conhecer, ser minha melhor amiga;

- Aprender, sempre, sou uma esponja, adoro estudar;

- Amor, sempre o amor, sempre amar!


Domingo, Dezembro 02, 2007

Dia 103 - Das palavras e das lembranças


Hoje estava em casa pensando no que ocorreu, e no que ouvi, nestes últimos dias, pensava e me questionava sobre o que falamos às pessoas em nossos momentos de raiva, até que ponto é raiva?

Como posso dizer que isso ou aquilo não seja a verdade que acredito e que, em algum momento, queria dizer, mas não tinha coragem. E eis que a oportunidade surge e digo que é raiva...ou a ela nos entregamos e fazemos mal uso, agredindo e sendo agredidos.

Indisfarcável tristeza...inegável mágoa...vontade explícita de revolta, não aceito o que ouvi, palavras de repulsa a mim, nunca pronunciei isso a alguém, mas reconheço que errei muitas, muitas vezes, e que magoei, e que menti, e que agredi, por raiva, mas também por defesa, também digo que chorei, de amor, de raiva e também de tristeza. Que dei apoio quando queria ser consolada, que tentei ser compreensiva mesmo quando a razão me contestava, que acariciei com ternura, mesmo estando magoada e que sorri, quando as vezes queria chorar e não podia fazer nada. Fiz e vivi dentro dos meus limites, mas me entreguei e não me arrependo, porque cresci, e hoje sou mais mulher do que ontem.

Não nego nada, e vivo o luto...não gosto de ficar muda, mas não vou repetir...repassar o que ouvi, para que me apoiem ou me consolem, não...essa é a vida, as pernas não ficam fortes se os pés não tocam o chão.

Tenho uma caixa de lembranças, nela guardo com muito carinho os cartões, cartas, bilhetes, algumas fotos, postais, palavras, de pessoas que me disseram em momentos diversos o quanto fui especial, o quanto sou, a diferença que fiz, um feliz aniversário, feliz dia dos namorados, feliz natal, feliz ano novo, uma palavra de carinho, uma palavra de apoio, o amigo que não vejo há tempos, do ex-apaixonado, da empolgação da paixão, da amizade perpetuada, da afilhada que com traços e riscos expressa seu amor, sim...essas palavras faço questão de guardar, das que fazem diferença na minha vida, das que de tempos e tempos recorro para me lembrar que de muitos erros que cometi, muitos acertos pratiquei e deles encho minhas lembranças e minha vida, fico feliz de saber que sou lembrada por muitos como uma pessoa boa, que errou, mas que também ajudou.

E da emoção de minha caixa de lembranças, das lágrimas que queriam invadir meu olhos, das palavras duras que ecoavam em minha mente, das lembranças dos erros cometidos, dos amores que não deram certo, da mulher forte que tento ser, mas da mulher frágil que se partiu, de toda confusão que se formou dentro de mim eu encontro num papel dobrado as palavras que me dizem quem sou...

Essas são palavras da Minha Mãe, no dia 05/10/2001, meu aniversário...e que hoje me trouxeram de volta...

"Para você minha filha que é muito especial.

Se você quer ser feliz...

Não espere um sorriso para ser gentil. Não espere ser amada para amar. Não espere ficar sozinha para reconhecer o valor de quem está ao seu lado.

Não espere ficar de luto para reconhecer quem hoje é importante para você. Não espere o melhor emprego para começar a trabalhar. Não espere a enfermidade para reconhecer o quão é frágil a vida. Não espere ter muito dinheiro para então contribuir.

Não espere pessoas perfeitas para então se aproximar.

Não espere a mágoa para pedir perdão. Não espere a separação para buscar a reconciliação.

Não espere elogios para acreditar em si mesma. Não espere o dia de sua morte sem antes amar a vida. Seja sempre você minha filha, autêntica e única!"

Dia 102 - Ecos da Verdade - Homenagem

A semana que se passou, para mim, ficou marcada com a saída do Blog Ecos da Verdade, de Vicente (O Corvo de Torga), deste mundo virtual da blogosfera.

O que posso dizer, de primeira, é que respeito sua decisão, mas queria lhe dizer, de todo coração, que foi um prazer compartilhar contigo suas idéias, sua vida, seu olhar peculiar sobre as coisas e as pessoas que o cercam.

Foi um prazer ver Torga por seus olhos, receber um Boa Noite quente e estimulante, ir a praia e ver tatuagens, viajar contigo pelo mundo das crianças e seus questionamentos, refletir sobre a injustiça e a desigualdade que nos assolam a rotina.

Um prazer conhecer vossa mãe, que muito lutou, para que seus numerosos filhos tivessem oportunidade e agradecê-la por você que em tão pouco tempo, em seu Blog, me contagiou com sentimentos nobres, com palavras de qualidade e acima de tudo, com uma bela amizade.

Sinceramente, sentirei sua saída, mas o que ficou, tenha a certeza, que agregou em minha vida e que levarei comigo com muito carinho.

Desejo felicidades em suas escolhas e que continue crítico, sensível, guerreiro da justiça, que continue firme em suas convicções e que este Corvo mantenha-se firme quando ondas lhe alcançarem e quiserem lhe dobrar, fez uso de sua escolha e assim prova da liberdade...

Grande amigo, um beijo...a ti minha homenagem num poema que sei que gostas e que Ecoa em mim, como palavras de verdade...


Não. Não tenho limites.
Quero de tudo
Tudo.
O ramo que sacudo
Fica varejado.
Já nascido em pecado,
Todos os meus pecados são mortais.
Todos tão naturais
À minha condição,
Que quando, por excepção,
Os não pratico
É que me mortifico.
Alma perdida
Antes de se perder,
Sou uma fome incontida
De viver.
E o que redime a vida
É ela não caber
Em nenhuma medida.
(Miguel Torga)
Estes são...Ecos da Verdade...Sempre!