Dia 136 - Os dois lados da moeda

As vezes aprendemos da forma mais difícil, o quanto nossos atos refletem nas pessoas, e como esse reflexo pode demonstrar o que há de melhor ou pior em cada um.

Saber ouvir é tão importante quanto saber falar, mas tomar consciência de sua condição dói, querer culpar alguém por nossos fracassos é o primeiro impulso, mas depois que a consciência ocorre não há como voltar, não podemos mudar o que passou, não mesmo.

Todos sabemos que temos defeitos, todos sabemos que temos limites e todos temos medo, mas saber não basta porque é preciso coragem. E não digo isso porque a tenho, é justamente porque não a tive.

Uma coisa é o que você parece aos olhos dos outros, outra coisa é o que somos de fato, e nem todas as vezes somos vistos pelo que somos e geralmente não vemos os outros da forma que são, mas da forma que os queremos ver. São nossos olhos e não a pessoa, são nossas atitudes e não as atitudes dos outros, são nossas faltas e não as faltas dos outros, somos nós o tempo todo.

E passamos muito tempo sem ver nosso reflexo no espelho, nosso olhar o atravessa e tudo que vemos está atrás de nós e não em nossa frente. Julgamos baseados em nossos atos e pensamentos, não perdoamos os outros porque achamos que não seríamos perdoados, porque não nos perdoamos as fraquezas...queremos do outro o que não damos e damos querendo retorno, caso ele não ocorra ficamos frustrados e decepcionados. A decepção é gerada a partir de nossas expectativas, de não podermos concretizá-las como sonhamos e não necessariamente das faltas de alguém.

A raiva é um processo inflamatório, é uma bactéria que está ali em nossa ferida e a faz latejar, mas não a cura, não alivia nossa dor e essa dor latejante anula nossos sentidos, nos distrai para o que de fato importa que é a lucidez sobre a realidade.

Eu precisava assumir isso, como preciso assumir que errei, que tirei de mim oportunidades por uma esperança que nunca se concretizou. Eu, mais ninguém. Não foi o outro que me privou os sentidos, fui eu que os adormeci, e por pouco não me mutilo para que meus membros não reclamassem que estavam sendo maltratados.

Não fui tola, fui covarde. E de repente me deparo com a questão: Quantas vezes mais terei a mesma atitude? É justo comigo? É certo com outro?

Eu sei todas as respostas, todas. O que eu não sabia era o tamanho da minha covardia.

Não pensem que estou sendo severa demais comigo, não estou, as vezes ouvimos coisas tão difíceis de aceitar, as vezes nos deparamos com situações tão doloridas. E quantas vezes nos sentimos sós? E quantas vezes é nosso travesseiro que nos serve de apoio? E quanto tempo passamos pensando quando na verdade devíamos passar vivendo? O tempo todo fui severa comigo só que sem razão para sê-lo. Hoje tenho motivos para mudar.

Me deparei com a tristeza e ela não foi maior que o meu amor, maior que meu amor foi a minha falta de coragem em deixá-lo livre, e minha negligência com os meus sentimentos.

É preciso ser forte para assumir riscos e eu arrisquei, e não foi a primeira vez que as coisas não sairam bem, mas também não será a última tentativa que farei.

Peço desculpas a quem magoei...incluindo a mim!

Comentários

Anônimo disse…
tá desculpada. mas tomara q se desculpe antes de mais nada. aproveito pra pedi-las tambem a vc q tanto amou... bjo
elvira carvalho disse…
O povo diz que "quem não arrisca, não petisca". Só que às vezes o petisco está estragado, e ficamos com uma tremenda dor...
Um abraço amiga e obrigada pelo seu carinho.