Dia 227 - Família

Lembro-me dos olhos dela...
Duas janelas para um mundo que ainda desconheço.
Todos os dias ela orava, sussurrando, transformando seus pensamentos em palavras
Mas eu nunca consegui escutar o que realmente dizia.
Eu nem sabia se ela notava, se me reconhecia, se me amava, mas...
Todas as vezes que a visitava eu ficava lá, ao lado dela, às vezes segurava sua mão,

Às vezes lhe fazia um gesto de carinho e atenção e quando ela me pedia eu sussurrava junto com ela uma oração.
Pegava o terço na cabeceira, sintonizava a rádio e íamos nós passearmos, nos pensamentos dela, na minha inocência de infância e com Deus no coração.
Acho que seus olhos eram verdes,  
Com frágeis ombros curvados, braços finos e magros, mãos geladas e olhar opaco,
Por causa da longa estrada que percorreu...
Mal sabia ela o que me deixava, mais que lembranças...
Sem as palavras...
A importância de um dia com os Seus.

(Homenagem a minha bisa Luiza, que conheci já bem velhinha, mas que me conquistou apenas com seu olhar)
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