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Mostrando postagens com o rótulo Crônica

A Ilha do Medo

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  Em dias difíceis, palavras novas emergem. Visitamos o passado, questionamos o presente e tentamos não projetar futuros, porque não acreditamos, porque somente desejamos sonhos que não sabemos se concretizarão. Nem tudo depende de nós. Há danças que não devem ser solitárias. Há solidões que não são solitude. Há palavras que são o que são: doces, amargas, frias, quentes — são exatamente a intenção de quem as profere. E há silêncios frios como gelo, repletos de indiferença, sem qualquer cuidado, sem qualquer empatia, sem qualquer alma… Silêncios que cortam como a lâmina de uma navalha, por conterem em si somente a indiferença. Quando sinto assim, eu sempre presto atenção aos olhares. Podemos envelhecer, mas nossos olhos sempre contaram a história da nossa alma, não a história que todos podem ler. Talvez por isso estamos tão frios, porque nosso olhar não passa de uma tela em preto e branco. Nossas impressões são paredes coloridas artificialmente, e estamos todos a gritar pela vida qu...

2025 - Epilogo de Ano Novo

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  A caminho de mais um dia, de mais um ano… No trilhar de histórias cruzadas, sem enganos nem acasos… Tudo, tudo o que fica é vida. Sentada, mentalizo meu desejo mais profundo de paz: a cena seria ela, sentada na areia, diante do mar, e o único som seria o das ondas quebrando — um ir e vir de alento, de silêncio interior, de fazer de conta. Partilho essa cena como quem partilha pão; não se nega pão nem água. Então por que nos negamos a paz almejada? Malditos desejos! Mas, se não fossem eles, morreríamos — porque é impossível viver sem desejar a vida. Então compreendi as palavras que ouvi há muitos anos. Ele me disse que não somos livres. Eu discordei. Mas, para quase tudo aquilo que pensamos saber, somente o tempo traz, de fato, as respostas — se fizermos as perguntas certas. Nessa divagação com direito a retrospectiva e às filosofias de ano novo, entrego-me ao desejo novamente. Sem licença, desejo e desejo, como quem bebe água salgada. Lembrei-me de um poema de Miguel Torga. Eis o...

Dia 499 - Meu Sol

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Eu não escrevo sobre a escuridão, não enquanto eu puder evitar... No escuro não se pode sentir, ver ou respirar, no escuro imaginamos o medo e damos a ele vida, disforme e sem mérito... Eu escrevo sobre as coisas que me tocam... E quando olho diretamente para elas é que as vejo e sinto, mesmo que, às vezes, doam... Eu não vejo no escuro... É no reflexo, no mundo do lado oposto do espelho que respondo a mim... É preciso apenas uma fresta para que a luz se faça presente e corte, precisamente, qualquer escuridão... E eu busco essa luz, que me atravesse e me permita pensar que, de alguma forma, este caminho pelo qual, às vezes, me perco... De mim nunca se perderá. Então, fecho os olhos e mentalizo... A intensidade e a força do Sol... E ele me mostra um caminho para que eu possa trilhar e sigo em frente. GeoSRS Foto: Amanhecer Rio de Janeiro - Maio de 2023 - Foto by GeoSRS

Dia 498 - A arte é ser você

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Já escrevi isso antes e me questionei inúmeras vezes a minha necessidade de escrever. Parei com isso. Agora apenas escrevo... Este despir-se, às vezes, despudoradamente, exercita nossa coragem. Em geral, nos vestimos mais que nos despimos... Porém, tenho prazer em estar "nua"... Não estou tratando do sentindo literal ou erótico da palavra, embora, estar nu em qualquer sentido, ao meu olhar, é sempre erótico, uma ousadia diante de filtros e ilusões que criamos para viver nosso dia a dia. Mas há uma libertação em "despir-se"... É tanta roupa que acumulamos que não caberia num palácio, é tanta roupa para corpos tão pequenos e frágeis, que precisam ser amados... Despimo-nos para dar amor... Vestimo-nos para sermos amados, isso cansa... E como "vivo cansada", sinto necessidade de estar 'nua' em minhas palavras e compartilho porque estamos imersos numa legião de cansados, vestidos ou não... A única coisa que me propus é não me importar com a opinião alhe...

Dia 497 - Das histórias que não contamos

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Das histórias que não contamos, as lágrimas que não deixamos rolar, a dor de cada momento, a ferida que demora cicatrizar... Das histórias que não contamos, os sorrisos que colhemos e entregamos, as palavras que não nos deixam cair, o amigo que partilha seu dia, o pai e a mãe que te sustentou um dia, os filhos que não te deixam desistir... Das histórias que não contamos, as guerras internas que travamos, os amores que chegam e partem, aquilo que fica e vamos levando, nos apropriando, depois de tantos enganos, de alguma dignidade... Das histórias que não contamos, do quanto sonhamos ou não, das conquistas à base da nossa exaustão, da privação e da ansiedade... De ter chegado até aqui e ainda conter em si alguma sanidade... Das histórias que não contamos, humilhações e reconhecimentos, a verdade e a falsidade, a dualidade que parece tormento, mas que pode ser lição e oportunidade... Por detrás de toda história que não é contada uma vida, de tudo ou nada, parida e nem sempre vivida, que n...

Dia 496 - The Blue Bird

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Meu filme favorito chama-se 'The Blue Bird', com Shirley Temple, de 1940. Ele retrata a história de duas crianças, irmã e irmão, que saem através do tempo (passado, presente e futuro) em busca da felicidade que perderam, que no filme é representada por um pássaro azul. Um pássaro que eles acham terem perdido e que se reencontrarem tudo voltará a ficar bem. E não é assim que agimos?! E não é assim que pensamos?! O interessante é que o filme se inicia em preto e branco e quando eles iniciam a jornada ele fica colorido. Enquanto eles o buscam, descobrem o mundo e se surpreendem com as pessoas e com aqueles que mais confiam, a gata e o cachorro que a fada transformou em humanos para os ajudar na trajetória... Este filme tem 83 anos e para mim é uma obra prima ainda hoje, porque ele retrata a motivação do homem na busca do que considera ser a sua felicidade, o seu pássaro azul, sem dar-se conta de que nós somos a sua gaiola e também a sua libertação. Às vezes perdemos, nos perdemos ...

Dia 495 - É seu este eu te amo

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'É seu este eu te amo' e não tenho por quê explicar, se algum dia precisar fazê-lo não será amor, mas, apenas zelo o que tenho para lhe dar. Por isso escrevo, me entenda, toda palavra do bem é amor que se dá... Dar não é receber, é simplesmente entregar porque se acredita valer a pena. É como plantar a semente que se ganha e, às vezes, constatar que ela jamais nascerá naquele lugar onde fora plantada ou você não a verá crescer ou frutificar... Noutros, ela germina e ali o sentido se faz apenas por ser o que se é e nada mais. 'É seu este eu te amo' porque lhe entreguei a semente, mas, não a minha capacidade de seguir em frente, independentemente do que escolher fazer com este presente. Há uma linha tênue que ultrapassada define o que não nos pertence, e todos a conhecemos, embora negamos o fato da sua existência por conveniência. Uma vez que o eu que pense, diga ou faça não muda nada, a linha já fora traçada, então, só posso dizer que o lhe dei é seu eternamente e jama...

Dia 494 - Onde eu também sou você

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Minha avó tem um jardim, e ela conhece cada plantinha que lá está, dia a dia ela o rega mesmo nos seus 93 anos, ela tira as lagartas das folhas, cuida da terra, arranca as ervas daninhas, cria apoio para alguns caules frágeis... Às vezes ela faz escolhas difíceis, arranca alguma planta, aparentemente saudável, para dar lugar a outra, pois no seu entendimento existe uma ‘seleção natural’... Nunca saberei, se com o tempo esta decisão sempre pesa em seu coração ou se depois, de tanto arrancar algumas raízes, se acostuma com a dor... Eu costumava matar plantas por excesso, de sede ou afogadas, escolhia somente aquelas que, apesar da minha falta de atenção, iriam sobreviver até que eu lembrasse de regá-las novamente. Mas, um dia até a planta mais forte morreu e quando me dei conta percebi que eu e ela tínhamos muito em comum... Parece clichê dizer que o ser humano é como uma planta, que relacionamentos são como plantas, mas, não é. O clichê é ordinário, mas, pessoas e relacionamentos, assim...

Dia 492 - Prosa ou Poesia?

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"Já que sou, o jeito é ser." (Clarice Lispector - A Hora da Estrela) Quanto mais o tempo passa, mais essa frase faz sentido em mim, já não conta tanto aquela que fui porque sou apenas o presente, eu vivo agora, amanhã já não sei... Antes eu desenhava, Agora preencho-me, de letras e história, Enquanto o tempo desenha em meu corpo... A vida não passa despercebida por mim, este pecado só é permitido à juventude.. Agora, ela entra, senta e pede um café, enquanto me pergunta: Prosa ou poesia?! GeoSRS

Dia 491 - O Irrepetível

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Quando eu era criança eu colecionava "coisas"... Quando eu achei que cresci continuei acumulando "coisas"... Eu não via o tempo e ele só me observava enquanto as "coisas" se acumulavam... "Coisas" sufocam pessoas. Pessoas transbordam porque não comportam seus acúmulos... E ficamos cansados e densos. Depois... Quando nos damos conta, concluímos que nos tornamos excessivos e que crescer nos trouxe uma necessidade de estarmos cheios... Andei pensando que há coisas que uma vez estendidas não voltam ao tamanho original, Mas, um dia eu perdi o sono... E olhei pela janela e reparei que a claridade havia mudado de tom... Tinha matizes que eu não vira porque estava cheia demais... Com coisas na minha cabeça, Respirei fundo, diante de algo maior do que eu e que também acumulava, mas, era beleza e intensidade... E lembrei-me de quando era criança e de quando ainda crescia. Eu achava que não poderia mais crescer, no entanto, estava errada. De alguma forma eu...

Dia 487 - Entre pedras e flores

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Precisamos encontrar o caminho de volta... Mas, primeiro temos que saber onde é a nossa casa, estabelecer uma direção, dar os primeiros passos... É preciso querer se encontrar e acreditar que pedras e flores tem o poder de nos ensinar, a ter força e amor... É preciso, mas, não é fácil. Lembro que quando muito nova eu amava uma frase que dizia: "O caminho a gente faz caminhando". Novamente me volto ao óbvio para dizer que não o é... Nada é óbvio que não precise ser pensado, sentido ou expressado. Nada pode ser ignorado, nem tão pouco valorizado em demasia, pois até o doce mais gostoso enjoa e, as vezes, o amargo é o travo que alivia. O que quero dizer não tem um portanto... Apenas reflexões de uma mente inquieta que tenta se manter em movimento, para dizer o óbvio, que é a necessidade de se equilibrar no dia a dia... Conto pedras e flores, conto dias e noites, conto amores e dores, para aceitar a luz e as sombras da minha biografia... Caminho sobre o meu cansaço, dedilhando a ...

Dia 484 - A casa velha

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Eram sempre tardes amareladas e mornas, cheirando a páginas de livros que a muito foram lidos. Era sempre aquele piso lustroso, denunciando horas de trabalho para que, talvez, alguém, assim como eu, o admirasse a beleza realçada as custas de muita dedicação e suor. Camada após camada de cera, cujo cheiro ainda está fresco em mim. Era o Sol através das janelas de madeira sem vidros, mas, com persianas que toda as tardes eram fechadas pro mosquito não entrar. Era através delas que tudo ganhava a nuance dourada e ao mesmo tempo opaca que ainda me habita. E aquele brilho, aquele brilho que eu achava ser ouro em pó, reduzido ao nome de poeira, fazia tudo cintilar, dando magia a tábuas listradas e frias, nas tardes que passei a sonhar. Era uma casa velha, chamada de barraco que a muitos veio acolher e abraçar. Era coisa eu sabia, sempre foi coisa aquela casa vazia, mas, agora é poesia, todas as vezes que ainda vou lá. GeoSRS

Dia 481 -

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"Alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial..." (Caetano Veloso) Por que o passado está sempre presente?! Palavras denunciam discórdia, ambição, submetendo a vontade do outro a condição de animal; Por que vejo nos olhos de homens as lágrimas do menino que implora para tudo voltar ao normal?! Quem é que quer guerra usando desculpas de outrora, mudando essa "nova ordem" que deveria ser natural?! Quem disse que o homem é dono do homem, que a terra não passa de um mero quintal?! Quem disse que o homem tem o direito de achar que um mundo belo e perfeito é aquele que cabe no seu visual?! E como não se fazer tantas perguntas, em meio a falta de respostas e lutas, ao som de canhões, de bombas e tiros, sentindo o poder que tem um gatilho de mudar uma vida, um cenário mundial?! Ainda não entenderam que estamos todos ligados, que o fato de "estar do outro lado" não deixa isolado ninguém?! Que o passado é cheio de fatos, que o homem é o próprio culpad...

Dia 479 - A vida sempre acontece

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Sempre gostei de janelas, de todas elas... As do olhar, da inspiração, da alma, não importa. Minha mãe tinha um caderno cuja capa eu adorava. Era a capa mais linda que havia visto, muitas janelas e em cada uma delas uma cena do cotidiano. Uma senhora que tira o pó da sua vassoura, outra que lhe percebe a falta de educação numa janela abaixo, e sisuda olha para cima em repreensão. Um gato a descansar, um olhar apaixonado em alguma direção. Vidas que compartilham um mesmo "tempo", mas, cada qual numa situação. Ainda hoje me pego a pensar nas muitas janelas que existem por aí e pergunto-me: O que se passa por lá?! Seria o mesmo que se passa aqui?! Hoje há uma grande dificuldade em aceitar/ver que por trás de muitas janelas existem pessoas afins em condição humana, mas, em diferentes realidades. Que o "pó da vassoura" pode ser o pó da nossa visão. Que a senhora sisuda pode sentir solidão. Que o gato tem fome de carinho mais que ração, que seu dono ocupado não tem nem o ...

Dia 476 - Então é Natal 2021

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Noutro dia assistia a um filme quando o personagem disse: "As vezes a vida é uma lista do que perdemos". A fala dele me tocou profundamente, pois nascia de um sentimento de perda e tristeza profundos. Numa época em que estamos contabilizamos perdas irreparáveis eu desejo a todos uma lista de Vida do que ganhamos: Cada pessoa que passou e está em nossa vida, todo gesto de respeito, carinho, acolhimento, compreensão, todo momento de alegria, de lembrança, de emoção, cada palavra escrita, falada, no olhar ou na oração, cada sorriso largo, tímido, sincero, mesmo cada lágrima de humanidade, de esperança, de entrega, de fé... Cada dia onde a vida esteve e está presente, tal como o Sol e fez e faz tudo isso valer a pena de algum modo. Bem sei que as vezes é impossível não contabilizar as perdas, mas, o que nos sustenta a caminhada certamente é aquilo que através do Amor será parte de nós pela eternidade. "Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maio...

Dia 472 - O poeta passarinho

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Por entre a chuva, que outrora podia pensar serem lágrimas, ouço um chamado que diz: - Bem-te-vi! Bem-te-vi! E na alegria deste encontro, quando um diz e o outro ouve, pronto! Secaram-se todas as lágrimas ali! E quanto mais deixava a chuva lavar as palavras, a mente se iluminava e em nome de Deus o pássaro bradava: - Bem-te-vi! Bem-te-vi! Agradecido chamado sob a chuva! Tanta sede é saciada por existir. Sede de água, de eco, de caminho, de destino, Sede de rio e de planta, sede de passarinho que canta... - Bem-te-vi! Bem-te-vi! Logo ali, num ser tão pequenino, o poder soa tão forte que nos faz ouvir, por entre chuvas, árvores e lágrimas... - Bem-te-vi! Bem-te-vi! Ao que outros respondem nas mais diferentes formas... Cada um tem sua hora... - Estou aqui! Estou aqui! Sob as bênçãos das águas que caem, que molham e correm, lavando a alma, matando a sede e a fome, dos que se esquecem que Deus está, sempre, a ver, a ouvir e a dizer... - Bem-te-vi! Bem-te-vi! Bem-te-vi! GeoSRS

Dia 470 - Braços que abraçam

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Olho para os meus braços e sinto todos os abraços que nunca esqueci... Neste tamanho pequeno, num olhar doce e sereno, estendo-os aos que não conheci. Enquanto penso que cresço, descubro o preço do que não se compra... Me encontro criança e sinto esperança de ser outra vez; Como é que se abraça com braços pequenos?! Como é que sentem que sempre estamos ali?! Então vejo ao espelho e um ponto que brilha me diz: - Que estamos tão presos, mas, nunca tão livres como quando sentimos. E eu imagino, que os braços da alma nunca estarão limitados aqui... Que percorrem o cosmos e sentem e saem... Que estes braços que aquecem o peito e a vontade nunca me traem... Que estes que nascem do Amor que cultivo... Abraçam, acalmam e amam. GeoSRS

Dia 463 - Um segundo de lucidez e sonhos

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Talvez pense que não se importam, que não importa... A cada dia ratificam-se algumas certezas (e existem poucas): Uma, não sabemos de nada. Um dia, alguém se dirige a uma janela, suspira enquanto segura uma xícara de café, contempla um trecho do mar que sua vista pode alcançar e pensa: Sonhar pra quê? É como ter luar, mas, não poder tocar a lua. Por mais que veja, seu horizonte será o trecho que a sua janela tem a capacidade de lhe mostrar. A janela da alma; Para além de uma linha, por menor que nos pareça ou por maior que seja, alguém acende um cigarro, ri da ironia dos dias e seu horizonte é uma selva, de pedras, numerosa, nada silenciosa, traços grosseiros e geométricos, adornados, ironica e propositalmente, por espelhos, para refletir um céu ignorado, mas, ainda assim, diz a si mesmo: Sonhar e se enamorar com o luar, mesmo sem poder tocar a lua. Quem são essas pessoas?! Somos... "Certos", "errados"; Sentem, independentemente de verem ou não o que se passa por ou...

Dia 462 - Do nosso tempo necessita quem amamos

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Os anos não tornam as coisas mais fáceis, dá a elas profundidade. Como quando aprendemos a desenhar, começamos com traços simples e sonhos de aprender a "voar"... Os sonhos se intensificam com o tempo, enquanto com o aprendizado os contornos ganham formas e as formas profundidade... Muitos lados para o olhar. Como aquele livro que ganhamos, e que o lemos depois de muitos anos, tudo tem seu tempo... E com o tempo aprendemos onde é o nosso lugar. Como aquele olhar que se transforma em fotografia ou palavra... Uma canção que antes não encantava, aprendemos com sutileza a apreciar... E nos surpreendemos, nos reconhecendo afins... A sensibilidade necessita do tempo e do nosso tempo necessita quem amamos. GeoSRS

Dia 457 - O Vagalume

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Preciso me apegar as luzes que brilham. Que importa se lâmpadas não são vagalumes! São vagalumes para mim, naquele quadradinho ali oh!! Preciso fugir, para dentro de mim, avisar a moça que mora lá: - Não enlouqueça! Acalme-se! Se se perdeu, olhe pra cima! Naquele quadradinho ali! Às vezes, frestas, figuras, lâmpadas feito vagalumes são tudo que temos...  Qualquer luz é melhor do que a escuridão. - Não se sufoque demais, disse o pássaro. Está vendo ali! É nossa rota de fuga, vem comigo! - completou. E não é que senti! Que a brisa descia e nos dava mesmo a mão e num instante respirei. Subimos passando por janelas e inúmeras cenas me chamaram a atenção, uns dormiam e outros não, mas ninguém estava a olhar pela janela, pareciam não se importar, se faltava pouco para aquele quadradinho lá do alto se fechar e ninguém, nunca mais, iria ver as luzes. E quando estávamos, quase chegando ao topo de um edifício notei, na ponta do prédio, eu juro que vi, bem pequenino, um vagalume pis...