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Dia 460 - Só Minha

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Eu me perdi de você Quando a dúvida bateu a minha porta Quando as perguntas gritavam mais do que as respostas Quando o Não calou o Sim Eu me perdi num fim Quando ainda era começo Quando a palavra tomou lugar ao ninho Eu me perdi de você Ficou tudo estreito e difícil Perdia o sentido o princípio Quando me dizia que o mar era pra nós o infinito Eu me perdi assim Quando a paixão ardeu em seu peito E todo o amor que era perfeito Ganhou matizes que eu não reconhecia A rima ainda era a mesma Mas para a minha grande supresa A letra adornava outra melodia E eu só conseguia pensar, Como poderia imaginar? Que a mão que tão suave atravessou um oceano para dizer que existia Num dia que não sei mensurar Soltou a minha mão em meio a travessia E eu me perdi assim E quando amanheci Eu me encontrei Só minha

Dia 459 - De Seda e Nácar

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Ilusões.  Véus de seda que percorrem a pele, atiçando sentidos outrora adormecidos...  Sonhos acalentados feito o nácar que envolve o grão,  preso em sua realidade, tornando-se a pérola que adorna os sonhos.  Cantos de pássaros que voam ao longe, que cortam os céus...  Ilusões, são véus.  E no desnudar desta seda e nácar Sou o que sou...  Ainda sonhos, mas, sem ilusões.   Eu sei, eu sei...  Ainda sinto o toque da seda, que eu mesma teci.  E de nácar...  "Diadema de sonhos",  Ao mar devolvi.  _GeoSRosa_

Dia 458 - Caçadora de mim

Porque posso fazer sorrir meu lado escuro, clarear a tristeza, esquecer o orgulho, aproveitar a incerteza, descalçar meus pés, bagunçar os cabelos, desculpar sobressaltos, dançar sem música, cantar qualquer ritmo, escrever sem pausas, respirar com profundidade, enxergar além da vidraça, quebrar a saudade. Não irei explicar, somente dizer, assim como não posso parar de sofrer, aprender, posso amar o quanto quiser, o tempo, o dia, a noite, sem me preocupar quem ilumina e quem esconde, porque eu quero é ser, apenas o meu direito a qualquer variação de mim mesma, porque não sou matemática, sou filosofia, do meu olhar sobre o mundo, terapia das minhas contradições, pirata das minhas ilusões, navego no céu, caminho no oceano, abraço meus sonhos, e tento perdoar meus enganos, subo uma torre porque vejo a luz, mesmo tendo medo de altura, corro mais lento pra compreender a loucura destes caminhos, me jogo ao vento porque sou passarinho, como o rio eu vou desaguar, no meu mar e encontrar com o a

Dia 457 - O Vagalume

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Preciso me apegar as luzes que brilham. Que importa se lâmpadas não são vagalumes! São vagalumes para mim, naquele quadradinho ali oh!! Preciso fugir, para dentro de mim, avisar a moça que mora lá: - Não enlouqueça! Acalme-se! Se se perdeu, olhe pra cima! Naquele quadradinho ali! Às vezes, frestas, figuras, lâmpadas feito vagalumes são tudo que temos...  Qualquer luz é melhor do que a escuridão. - Não se sufoque demais, disse o pássaro. Está vendo ali! É nossa rota de fuga, vem comigo! - completou. E não é que senti! Que a brisa descia e nos dava mesmo a mão e num instante respirei. Subimos passando por janelas e inúmeras cenas me chamaram a atenção, uns dormiam e outros não, mas ninguém estava a olhar pela janela, pareciam não se importar, se faltava pouco para aquele quadradinho lá do alto se fechar e ninguém, nunca mais, iria ver as luzes. E quando estávamos, quase chegando ao topo de um edifício notei, na ponta do prédio, eu juro que vi, bem pequenino, um vagalume piscand

Dia 456 - Fiandeira

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Quedo-me ao tempo, deslumbrando-me ao ver através de espelhos... Espelhos com metal contam histórias que trago gravado em meu corpo, o sorriso largo, o cabelo sempre rebelde, brancos como asas de um pássaro que já atravessou muitos verões... As aspas em torno dos olhos, que dizem sempre mais do que as próprias palavras um dia poderão expressar, reticências feito constelações em meu peito, sobre mãos cansadas, mas, nunca cansadas demais para trabalhar... E como se etérea fosse, contemplação do caminho, num voo incansável abro asas e mais uma vez busco um destino, mas, desta vez, em direção ao sorriso de Deus. Com o olhar do perdão a alegria sempre retorna, perdoo o atraso das horas, os dias que partiram e tantas histórias... E apenas agora começo a aprender a ser eu... E na sutileza, não desejo mais do que tenho porque tenho tudo que preciso. Por onde andei, os pés estavam descalços, as mãos limpas, o sorriso largo e o coração livre... E quem me viu passar, cruzou comigo por essas estra

Dia 455 - Para além...

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Dias se alternam entre o cinza e o azul, mas, o céu sempre está lá, assim como quem o criou e nos ama imensamente. Gratidão! Hoje acordei como este dia, as nuvens não me impedem de raiar, de me fortalecer aos passos das horas, de me perder e por estes caminhos desconhecidos me reencontrar, quantas vezes for necessário.  Assim passam os dias, as semanas e os anos, assim vivemos, as vezes, querendo ser outros, mas sendo o que, tantas vezes, renegamos, apenas nós mesmos. Frágeis autores de mil e uma noites, personagens de grandes encenações ou tão somente estudantes num planeta distante?! Assim caminhamos as nossas gerações, questionando a própria natureza, escrevendo a história sem qualquer certeza no porvir, mas, acreditando que pela dor ou pelo amor, amanhã há de ser algo melhor, porque do contrário nunca iríamos conseguir ver que o céu sorri. E ele sorri mesmo por detrás de todas as nuvens. ( Praia da Costa, Cidade de Vila Velha, ES - F oto • @wllpes)

Dia 454 - Hamlet

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Interlocutor 1: - Eu vejo 'Hamlet'. Interlocutor 2: - Com que frequência? Interlocutor 1: - O tempo inteiro. (Pausa seguida do silêncio incrédulo do interlocutor 2) Interlocutor 2: - E o resto? Interlocutor 1: - "O resto é silêncio". Cena II, Ato V (Hamlet). _Geo SRosa_

Dia 453 - Close your eyes...

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Se pudéssemos emprestar nossos olhos... Talvez, somente talvez, veriam nosso mundo como nós o vemos. Talvez, somente talvez, aquela pontada de sentir, que dói ou que nos transborda, seria compreendida. Talvez, somente talvez, saberíamos o segredo do pintor naqueles detalhes que a um olhar leigo não passou de uma pincelada, mas, para ele foram horas de dedicação em diferentes nuances e contrastes... Uma luta feroz entre a luz e as sombras. Onde andam as notas que alcançam o tom do nosso coração?! A diferença entre “uma coisa e outra”?! O Sol que deixa o mar mais brilhante, o céu mais azul, também descobre a poeira do tempo... Se eu pudesse emprestar os meus olhos... Talvez, eu também, pudesse ver, O que sinto, mas, nem sempre consigo dizer... Como por exemplo:  O que o mar sente quando avista a praia e o faz desejar se limitar a uma onda somente para beijá-la, eternamente. Talvez, somente talvez... Se fecharmos os olhos e mergulharmos em nossa imensidão, possamos s

Dia 452 - Muse

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Dia 451 - Sob a mesma teoria...

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Ansiamos tanto pelo tempo... Mas, tanto...  Que, muitas vezes, por desejá-lo tanto é que o perdemos. Por ser relativo sob o olhar de cada um (teorizado por Einstein), cada qual o sente de uma forma e para este também passa de forma relativa em comparação ao tempo do outro, porque assim o sente, sempre diferentes. Quer dizer, que mesmo sendo semelhantes, vivendo situações semelhantes, tudo que sentimos, o tempo de cada um, nunca será igual. Assim como o que com ele aprendemos. Sob a mesma cronologia estamos sujeitos, mas, não estamos sujeitos a sentir o contar das horas da mesma forma. Logo, não estamos subjulgados ao tempo, mas, antes o julgamos como o responsável pelas nossas perdas. Em geral, sentimos mais o tempo quando "perdemos". Quando o amor, e a sonhada felicidade, parecem estarem fadados a morte como nosso corpo está. E quem mata o amor?! E onde mora essa tal 'Dona Felicidade'?! As nossas crenças, escolhas, nossas prioridades, visão, o "nosso tempo relat