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Mostrando postagens com o rótulo Cecília Meireles

Dia 361 - Porque há dias 'Assim'... E outros 'Assados'...

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Pus o meu sonho num navio   e o navio em cima do mar;  - depois, abri o mar com as mãos,  para o meu sonho naufragar  Minhas mãos ainda estão molhadas  do azul das ondas entreabertas,  e a cor que escorre de meus dedos  colore as areias desertas.  O vento vem vindo de longe,  a noite se curva de frio;  debaixo da água vai morrendo  meu sonho, dentro de um navio...  Chorarei quanto for preciso,  para fazer com que o mar cresça,  e o meu navio chegue ao fundo  e o meu sonho desapareça.  Depois, tudo estará perfeito;  praia lisa, águas ordenadas,  meus olhos secos como pedras  e as minhas duas mãos quebradas. (Cecília Meireles)

Dia 197 - Lua Adversa (Cecília Meireles)

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Tenho fases, como a lua Fases de andar escondida, fases de vir para a rua... Perdição da minha vida! Perdição da vida minha! Tenho fases de ser tua, tenho outras de ser sozinha Fases que vão e que vêm, no secreto calendário que um astrólogo arbitrário inventou para meu uso. E roda a melancolia seu interminável fuso! Não me encontro com ninguém (tenho fases, como a lua...) No dia de alguém ser meu não é dia de eu ser sua... E, quando chega esse dia, o outro desapareceu...

Dia 167 - Meditação no presépio (Por Cecília Meireles)

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Quando São Francisco de Assis inventou o primeiro presépio, e falou das coisas do céu numa gruta, dizem que, ao ajoelhar-se, desceu-lhe aos braços estendidos um Menino todo de luz. O Santo Poeta colocara ali apenas umas poucas imagens: as da Sagrada Família, a do irmão jumento e a do irmão boi. O áspero cenário de pedra tinha a nudez franca da pobreza, a rispidez dos desertos do mundo, o recorte bravio dos lugares de sofrimento. Aí, o Menino de luz pode descer, porque ele vinha para ensinar caminhos difíceis, e restituir às coisas naturais da terra o sentido da sua presença na ordem universal. O amor humano é um perigoso jogo. Por amor, os homens foram construindo presépios ao longo do mundo, e já não lhes bastava a pedra desguarnecida: queriam recobri-la do ornamento da sua devoção. Trouxeram folhagens e flores, dispuseram frutos e pássaros, desceram o céu, num pálio de seda azul, colheram as estrelas, dos ramos que se alongam na noite. Caçaram a lua, no meio da sua viagem, e pescar...

Dia 113 - Motivo da Rosa

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Não te aflijas com a pétala que voa: também é ser, deixar de ser assim. Rosas verá, só de cinzas franzida, mortas, intactas pelo teu jardim. Eu deixo aroma até nos meus espinhos ao longe, o vento vai falando de mim. E por perder-me é que vão me lembrando, por desfolhar-me é que não tenho fim. Cecília Meireles

Dia 69 - Regresso

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Um "CÂNTICO" para um regresso e sempre recomeço... Obrigada Amigos pelo carinho recebido nesta fase, tenham certeza de que fiquei muito feliz em receber todas as mensagens, senti muita falta de estar aqui... Hoje quero falar de "fim" e de "recomeço", e para ajudar-me pego emprestado, novamente, as palavras de Cecília Meireles, que aprecio cada dia mais, faço delas as minhas e lhes ofereço com todo carinho. Nem só de flores a vida é feita, mas a escolha é de cada um. Por isso não quero ter medo, mas se o tiver, que seja bem-vindo, para me ensinar a ser cada vez mais forte e mais prudente, contudo, não menos feliz por ser quem sou. Um Beijo especial a minha querida Elvira, a Mueja e a Teresa, aos demais meu grande carinho!! Tu tens um medo: Acabar. Não vês que acaba todo o dia. Que morres no amor. Na tristeza. Na dúvida. No desejo. Que te renovas todo o dia. No amor. Na tristeza. Na dúvida. No desejo. Que és sempre outro. Que és sempre o mesmo. Qu...

Dia 61 - Palavras, simplesmente palavras...

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Quanta beleza nas palavras! E quando nos faltam, sobram poetas para cantá-las... E quando me sobram, sobram poemas para inspirá-las... E quando me deito, não me esqueço que, essas palavras consolam meus medos. (Palavras de Geo) _____ :'( _____ Palavras de Cecília Meireles... Basta-me um pequeno gesto, Feito de longe e de leve, Para que venhas comigo E eu para sempre te leve... -- mas esse eu não farei. Uma palavra caída Das montanhas dos instantes Desmancha todos os mares E une as terras mais distantes... -- palavra que não direi. Para que tu adivinhes, Entre os ventos taciturnos, Apago os meus pensamentos, Ponho vestidos nocturnos, -- que amargamente inventei. E, enquanto me descobres, Os mundos vão navegando Nos ares certos do tempo Até n se sabe quando... -- e um dia me acabarei.