Dia 228 - Como bolhas de sabão...

Quando eu era criança fazia da barriga do meu pai, que era gordinho, o meu travesseiro.
Não podia vê-lo deitado descansando que logo chegava e perguntava se podia deitar em sua barriga...
Era ali no movimento de sua respiração que eu me confortava e contemplava o ‘meu simples’...
Aquele momento que nos sentimos aquecidos e nada mais importa.
Hoje sinto o ‘meu simples’ de outras formas...
Quando dou ou recebo um abraço sincero...
Quando deito a cabeça no travesseiro e penso que minha mãe está no conforto de sua casa, em sua cama, segura, e que pude lhe proporcionar isso...
Quando vejo uma criança dormindo ou sorrindo...
Quando escuto uma música que enche meu coração de amor...
Quando mentalizo a figura de Jesus num campo verde e eu descansando minha cabeça em seu colo e ele sorri gentilmente enquanto pousa sua mão em minha cabeça, num gesto de proteção, essa é minha imagem dele, e sinto me em casa.
Quando consigo ajudar, de alguma forma, a quem precisa.
Quando lembro do abraço de minha tia Lídia, era o melhor abraço do mundo.
Quando abraço minha mãe e a sinto tão frágil e eu tão ‘grande’ que posso pegá-la em meus braços e aconchega-la.
Quando me despeço de algum amigo e tenho vontade de chorar, porque o amo demais e se pudesse não me separaria dele.
Quando olho para o meu marido e sinto em meu coração que nenhuma outra pessoa poderia estar em seu lugar.
São tantos momentos, simples, que passam desapercebidos por nós no dia a dia...
É tudo que tenho, esses momentos, é tudo que sou...
A oportunidade de poder escrever, mesmo que a interpretação seja diversa, o que torna tudo ainda mais especial, único...
A oportunidade de estar aqui, viva, mesmo que isso seja uma única ou diversas vezes (é uma honra!),
Nunca haverá momento igual a este, nunca haverá pessoas como as que eu conheço, haverão outras (também únicas e especiais), mas, não essas, não agora...
Nunca mais... e ao mesmo tempo... Sempre...
Pois tudo se transforma, se renova.
Pois tudo retorna...
Por isso o melhor de mim...
Por isso a barriga do meu pai, o ‘meu simples’, o seu sorriso ao contar uma piada, o da minha mãe quando está feliz, o toque de suas mãos a cuidar de mim...
Eu quero dizer agora e digo... Porque, jamais será assim novamente... 
Oportunidade é um instante que não devemos deixar passar... 
Porque é simples, frágil...
Como bolhas de sabão!


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