Dia 223 - Dia de Aninha

Hoje senti vontade de ler poesias, lembrei de um livro que estou lendo a passos lentos... onde dois amigos trocam cartas, filosofias, não vou citar o livro ainda, não tenho conclusões, mas, posso dizer que sigo aprendendo com a sabedoria deles... eles citam muito Cora Coralina (Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas), que teve seu primeiro livro publicado quase aos 76 anos de idade. Procurei então um poema dela para registrar aqui, tenho muitas escritoras e poetisas que admiro, confesso que não lia Cora Coralina, mas, como disse, sigo aprendendo... espero que gostem.

Conclusões de Aninha

Estavam ali parados. Marido e mulher.
Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça
tímida, humilde, sofrida.
Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho,
e tudo que tinha dentro.
Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar
novo rancho e comprar suas pobrezinhas.

O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula,
entregou sem palavra.
A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,
se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar
E não abriu a bolsa.
Qual dos dois ajudou mais?

Donde se infere que o homem ajuda sem participar
e a mulher participa sem ajudar.
Da mesma forma aquela sentença:
"A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar."
Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada,
o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso
e ensinar a paciência do pescador.
Você faria isso, Leitor?
Antes que tudo isso se fizesse
o desvalido não morreria de fome?
Conclusão:
Na prática, a teoria é outra.



Poema de Cora Coralina e desenho de José Pádua (Retirado do Blog Circulo Artur Bual,
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