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Mostrando postagens de 2025

A Ilha do Medo

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  Em dias difíceis, palavras novas emergem. Visitamos o passado, questionamos o presente e tentamos não projetar futuros, porque não acreditamos, porque somente desejamos sonhos que não sabemos se concretizarão. Nem tudo depende de nós. Há danças que não devem ser solitárias. Há solidões que não são solitude. Há palavras que são o que são: doces, amargas, frias, quentes — são exatamente a intenção de quem as profere. E há silêncios frios como gelo, repletos de indiferença, sem qualquer cuidado, sem qualquer empatia, sem qualquer alma… Silêncios que cortam como a lâmina de uma navalha, por conterem em si somente a indiferença. Quando sinto assim, eu sempre presto atenção aos olhares. Podemos envelhecer, mas nossos olhos sempre contaram a história da nossa alma, não a história que todos podem ler. Talvez por isso estamos tão frios, porque nosso olhar não passa de uma tela em preto e branco. Nossas impressões são paredes coloridas artificialmente, e estamos todos a gritar pela vida qu...

O Algoritmo das Possibilidades

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A teoria quântica dos mundos paralelos, também conhecida como Interpretação de Muitos Mundos (IMM), propõe que cada evento quântico com múltiplos resultados possíveis gera novas ramificações do universo — um multiverso em constante expansão. De certa forma, essa também parece ser a nossa realidade. Somos renovados a cada geração. A minha vive entre o analógico e o digital, e às vezes me pergunto a qual mundo pertenço. Talvez a nenhum. Talvez a um mundo de transição. Por isso, a teoria quântica, na minha mente leiga, soa tão natural quanto qualquer lei da natureza: tudo é mutável. A menor criatura evolui. Até as bactérias e os vírus evoluem. E assim também nós: a cada passo criamos uma ramificação que antes não existia. Abre-se, diante de nós, um infinito de possibilidades que surgem no instante mesmo em que pensamos, agimos, escolhemos. Tudo vibra em consonância com nossos pensamentos — é assim que opera o algoritmo da vida. Embora esses mundos paralelos existam simultaneamente, não...

2025 - Epilogo de Ano Novo

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  A caminho de mais um dia, de mais um ano… No trilhar de histórias cruzadas, sem enganos nem acasos… Tudo, tudo o que fica é vida. Sentada, mentalizo meu desejo mais profundo de paz: a cena seria ela, sentada na areia, diante do mar, e o único som seria o das ondas quebrando — um ir e vir de alento, de silêncio interior, de fazer de conta. Partilho essa cena como quem partilha pão; não se nega pão nem água. Então por que nos negamos a paz almejada? Malditos desejos! Mas, se não fossem eles, morreríamos — porque é impossível viver sem desejar a vida. Então compreendi as palavras que ouvi há muitos anos. Ele me disse que não somos livres. Eu discordei. Mas, para quase tudo aquilo que pensamos saber, somente o tempo traz, de fato, as respostas — se fizermos as perguntas certas. Nessa divagação com direito a retrospectiva e às filosofias de ano novo, entrego-me ao desejo novamente. Sem licença, desejo e desejo, como quem bebe água salgada. Lembrei-me de um poema de Miguel Torga. Eis o...