quinta-feira, outubro 27, 2016

Dia 365 - Lembranças

Consigo lembrar do calor do sol, como um mormaço...
Sua luz é sempre mais amarelada e agradável...
Consigo sentir o vento que levantava meus cabelo e tudo, tudo era maior do que eu...
Lembro de subir a ladeira do Convento da Penha e ela era sem fim...
Mas quando chegava lá em cima me sentia feliz, entrava na sala dos milagres e vislumbrava todos os 'agradecimentos' numa felicidade...
Eu não compreendia tudo aquilo, mas olhava as fotos e tudo o mais com a admiração e o respeito que cabia a minha idade.

E sentir o tempo me faz ter vontade de chorar...
Não de tristeza, apenas por transbordar em mim a saudade,
Apenas por meu corpo ser limitado para comportar o que nem a razão consegue conter...
O tempo que me encheu de viver, que ainda me preenche e que, se Deus me permitir, sempre lembrarei...
'Amarelo' também, porém, quente em meu peito como a brisa que levantara meus cabelos.

Lembrarei, certamente, ou assim espero...
Do sorriso do meu filho e de como era fofo abraça-lo,
De como era doce beijá-lo...
Certamente seus cabelos serão sempre finos, seus dedos sempre gordinhos...
E suas palavras sempre ‘erradas’ e lindamente engraçadas...

Eis o presente do tempo e também seu maior perigo...
Me fazer lembrar de coisas que amo, enquanto ainda escrevo outras que amo e amarei ainda mais...
São tantas coisas, tantas pessoas, meu filho ainda de mãos pequeninas...

Lembro algumas coisas de quando era bem pequenina,
Sinceramente, as sinto mais do que lembro...
O calor do colo de minha mãe,
O sorriso do meu pai,
O barulho do motor de seu carro,
As músicas de domingo,
Churros,
Bombom Serenata,
Convento da Penha,
Praia,
Caldos em água salgada...
Infinitos segundos de lembrança...

Lembrar é tão bom!
Não importa se estou certa ou errada,
Se de fato ocorreu ou se estou enganada,
'Este mundo' sempre será só meu...
Um mundo perfeito de uma longa estrada...
Que ainda percorro...
Tendo o sol morno e sua luz amarelada...
Fotografando cada momento,
Queimando cada instante em mim...
E eu me tornando minhas lembranças,
Fotografias coloridas que ficarão amareladas
Com o passar do tempo...
Como o tempo passa!
Num Tic Tac de relógio sem hora exata e

Dias sem qualquer data marcada,
Que não perco por nada!


quinta-feira, outubro 13, 2016

Dia 364 - Meu Barco de Papel


De fato... 
Quando a sentimos é onde queremos estar ou...
com quem queremos estar...
Só tem um detalhe... 
Saudade é como um barco, 
sem um cais ela se perde no mar de nossas lembranças.
Se ela encontrar seu Cais, deixa de ser Saudade...
Suponho então, que seu destino não seja 'Estar'...
Seu destino é 'Ser' e... sendo...
É isso...
Só Saudade.
Saudade só...

De Você...
Meu 'Barco de Papel'.




terça-feira, outubro 04, 2016

Dia 363 - Dia da Geo 05/10/2016

Então cheguei aos 39 e, confesso, não como gostaria mas muito melhor do que pensei que estaria rsss...
Ainda me sinto com vinte e poucos, sonho como uma menina, ainda consigo rir feito criança, mas, também confesso há dias que me sinto duas vezes mais velha do que sou...
Sou uma aprendiz, muito, muito longe de me conhecer, de saber das coisas, das pessoas, de compreender as situações, de aceitar as perdas... Quero ser feliz e... Quem não quer?
Eu poderia dizer aqui muitas coisas bonitas também, mas, quero dizer a verdade, o que estou sentindo.
Amadurecer não é tão simples e mágico como na televisão e rugas não saem fácil não rss...
As vezes nem me olho direito no espelho, acordo atarefada, vou tomando banho, cuidando do filho, enfim, quando vejo estou vestida saio e pronto...
No entanto, noutro dia resolvi prestar atenção e lá estavam eles, todos os 39 anos rsss... E depois de tudo que eu disse vão pensar que fiquei triste, mas, não... Amei o que vi!
Eu vi toda a luta da menina para se tornar mulher e depois dela a moça guerreira e depois dela a mulher que me transformei... Eu vi toda minha paixão em meus olhos, vi toda preocupação superada em meus cabelos brancos, vi todo o cansaço em minhas olheiras mas em meu sorriso a satisfação de ser mãe.
Vi o meu corpo e ele não era o mesmo, mas, uma risadinha ao meu lado me chamando para brincar me fez lembrar o motivo dele estar tão modificado... e tão bonito! Não. Não tenho o corpo das revistas, não sou sarada, sou vivida!
E que vida! Pela qual só tenho que agradecer tantas lições!
O que há de diferente entre a Geo de antes e de agora, visivelmente falando, a de agora traz em si gravada toda a sua história até aqui e a de antes por mais que se olhasse no espelho ainda não tinha noção da riqueza que os anos lhe traria.
Sim, me senti feliz! E bela! 

E se há algo que o tempo me trouxe foi o prazer de querer menos e apreciar cada vez mais!

Que os anos venham e pelos que foram meu mais sincero agradecimento!
Obrigada Deus! Obrigada Vida!

quarta-feira, julho 06, 2016

Dia 362 - DeterminAção

Igual a muitos que tive ao longo da minha vida, onde eu procurava algo e acordava sem nunca encontrar.

Eu tive um sonho...
Procurava uma casa, uma dentre tantas que avistei, havia algumas no alto, outras no baixo, algumas agrupadas, pequenas, grandes, tortas, coloridas e acinzentadas...
Cinza como minha visão, que oscilava entre o turvo e a nitidez...
Neste sonho, havia muitas casas, mas nenhum lar.
Todas estavam vazias, não desarrumadas, vazias. E eu estava lá... Sozinha.
E logo ali, lá, havia o mar...
Com a onda que se erguia, para engolir a tudo e a mim.

Em toda minha vida quis fugir deste mar, desta onda gigante.

Eu tive um sonho...
Diferentes de todos que já sonhei, pois neste encontrei uma casa, onde a luz entrava pela janela e eu... Estava lá, mas...
Não me sentia sozinha.
A luz da manhã beijava o chão e a tudo refletia...
Em direção àquela janela eu fui e o mar também estava lá, no meu horizonte...
Tão alto, mas tão alto ele se erguia, a formar uma onda que sinalizava quebrar-se, exatamente, sobre minha casa vazia, mas...
Ele só se erguia e não descia...
Imponente, subjugando minha forma frágil, ele me submetia, a vontade de algo muito maior do que eu... E muito maior do que nós, eu sentia...
Não era onda ‘bravia’, era uma parede de águas escura e fria, que ao quebrar-se com tudo acabaria.

Eu tive um sonho...
E neste sonho, neste único sonho, que se repetiu em minha vida tantas vezes, o medo não me perseguia,
Desta vez, eu não correria em direção oposta a ameça que sofria...
Calmamente, saí da única casa que me acolhia, mas não me protegia...
Quando fora da casa me encontrei minha mão direita não estava mais vazia...
Ele estava lá comigo, muito menor que minha estatura, pequenas mãos frágeis e macias...
Eu olhei para o lado e só conseguia ver o reflexo dourado do sol em seus cabelos lisos e castanhos...
E ele olhava em direção ao mar que se erguia...
Ele não estava com medo. E eu?
Não estava sozinha.

Saí pela única porta que havia na casa, ela só tinha além disso uma janela.
Olhei para cima, para tentar entender, quem sabe correr, o tamanho da barreira que se ergueu diante de mim e...
Quase no limite do meu esforço, com dificuldade, avistei sua borda esbranquiçada e espumosa, um barreira com se seguia por quilômetros sem poder precisar o seu fim.

Estava esperando...
Minha escolha, em seu silêncio profundo e esverdeado.
Que segredos haveria através daquele espelhado?
O que, de fato, se finalizaria?

Eu tive um sonho...
Um lugar iluminado, uma casa iluminada, meu filho e uma onda.
Como uma barreira ela aguardava mais do que desafiava...
Seu destino não era quebrar-se.
Meu destino era ‘quebrar-me’ nela.

Eu tive um sonho...
E, pela primeira vez, eu o compreendi ainda sonhando.
Pela primeira vez eu não quis fugir, mas, seguir...
Respirei fundo e dei mais alguns passos.
Eu e o meu menino...
Decidida a ‘quebrar-me’ nela,
Respirei fundo e em passos calmos segui em sua direção, comecei a sentir medo, mas, ele não me impedia...
Fugir não iria adiantar, não mais queria.
E aquela imensidão esverdeada, aquela parede espelhada se abriu como cortinas finas e delicadas, sem derramar uma única gota d’água...
Ali, diante de mim, a passos de quebrar-me...
Pares de mãos gigantes.
Vários, em toda a extensão da onda até onde minha vista podia alcançar...

E eu compreendi.
E acho que você também compreendeu.

Eu tive um sonho...
E não acordei neste dia, despertei!

E desde então, vejo aquelas mãos em todo lugar...

Desde então nasceu em mim uma clareza que antes não existia...
Os passos que dei e que não dei, as escolhas que fiz e que não fiz,
A pequena mão que unida a minha não me deixou sozinha e tudo que ele representa para mim.
As mãos que estendi e as que nunca agarrei...

Eu sei que a onda sempre estará lá...
Mas eu não me sinto mais sozinha, nunca estive, só não cheguei próximo o bastante para perceber...
Eu sei que não era um sonho.
Assim como aquela pequena mão que me sustentava a razão, que sustenta meu corpo na exaustão...
Agora eu compreendo...
A necessidade de decidir e sustentar,
De desconstruir para construir...
Para ser um outro alguém, melhor.

Ao Quebrar-me em meus medos.


terça-feira, maio 24, 2016

Dia 361 - Porque há dias 'Assim'... E outros 'Assados'...


Pus o meu sonho num navio 
e o navio em cima do mar; 
- depois, abri o mar com as mãos, 
para o meu sonho naufragar 


Minhas mãos ainda estão molhadas 
do azul das ondas entreabertas, 
e a cor que escorre de meus dedos 
colore as areias desertas. 


O vento vem vindo de longe, 
a noite se curva de frio; 
debaixo da água vai morrendo 
meu sonho, dentro de um navio... 


Chorarei quanto for preciso, 
para fazer com que o mar cresça, 
e o meu navio chegue ao fundo 
e o meu sonho desapareça. 


Depois, tudo estará perfeito; 
praia lisa, águas ordenadas, 
meus olhos secos como pedras 
e as minhas duas mãos quebradas.
(Cecília Meireles)

segunda-feira, março 07, 2016

Dia 360 - Ironia e Retórica

Parece que não tenho ossos, nem músculos, nem pele, nem sangue.
Parece que não tenho os sentidos, que 'não vejo', que 'não falo', 'tecnicamente' não sinto...
Parece que não minto, mas, minto muito para mim mesma.
Parece que não tenho orgulho, as vezes, nem amor próprio.
Se fosse medir por agora, digo que os tenho, pois doem.
Parece que não tenho limites, que sou toda extensão, sem linhas que me definem, sem forma. Sem coração.
Sou, simplesmente. Sem qualquer exatidão.
Parece que o tempo passou e eu sobrei...
Não percebi que parei, olhei para o lado e nada.
E ainda queria ficar espantada, mas, dessa vez não deu.
Parece assim, que poderia chorar, mas, para quê?
Se eu mesma dei cabo de mim.
Se ''eu não me importei'',

Quem se importa?

terça-feira, outubro 13, 2015

Dia 359 - Condição


NÃO.
Eu não sei usar as palavras para me aliviar...
Eu não tenho o dom de rasgar-me em versos, para
tirar de mim os afetos, os sentimentos que me consomem.
Eu me consumo...
Não tenho fim...
Deixo-me queimar.
O ‘Gelo’ é ilusão!
Basta tirar de lá o que está machucado e tudo dói ainda mais e, as vezes, até nos faz chorar.
Até quando?
Até quando...
Finalmente, a coragem chegar, a dor aguentar, o ardor aumentar e...
Aos poucos, ver (a realidade chegar) cicatrizar.
E...
Quem sabe...

Um dia voltar a queimar...
No ciclo natural da minha 'Condição'.

quarta-feira, setembro 30, 2015

Dia 358 - Realidade, Controvérsias ou Divagações?

Será que, na verdade, sentimos mais saudade do que imaginamos?
Como pode poucos minutos significarem tanto?
Enquanto passamos dias e dias sem nos darmos conta do sentido da maioria das coisas, horas, minutos...
Acordar, tomar banho, café...
Almoçar, trabalhar, pegar condução, trânsito, trânsito...
E todos nós aqui, na condução, procurando uma distração, um minuto de paz em meio a multidão...
Todos nós, olhando pela janela, divagando em nossos pensamentos, sentimentos...
Entre problemas e soluções,
Entre prazer e lamento...
Entre cansaço e expectativas...
Enquanto a música que sai do fone de ouvido nos toca o coração...
Ou não?!
E o que deveria tocar nosso coração?
E o que deveria nos tocar?
E o que, de fato, deveria importar?
Quem?
Tem alguém?
Ter alguém?
Quem entrará?
Em nossos corações, nossa vida, nosso lar?
Quem se importa?
Quem se importará?
Estamos todos aqui...
Jogados de um lado para o outro, num sacolejar ininterrupto...
Desconsiderando os absurdos...
Um aqui, outro lá.
Ninando uma vida que, neste instante, tem que parar e esperar o próximo ponto chegar.
Graças a Deus a música!
Graças a Deus o fone de ouvido!
Será?!
Quem se importa?!
Quem se importará?!
Se estou aqui ou...
Se não estou lá.
E a saudade?
A que mencionei no início do texto?
Sei lá...
Já estou em outro contexto...
A vida está assim, um turbilhão de coisas ao mesmo tempo...
E o Nada.
Quem se importa?
Estamos todos aqui...
Ou Acolá...
Ou Sei lá...
Até o 'ponto' chegar e termos que saltar...
Nessa realidade controversa.


sexta-feira, julho 31, 2015

Dia 357 - Meu Dia Mundial do Orgasmo 2015

A muitos anos atrás, precisamente em 2008, escrevi neste Blog sobre o Dia Mundial do Orgasmo, citando um texto muito interessante de Ruy Castro que falava do Orgasmo em várias línguas. 

O tempo passou e ainda hoje, com todo respeito que o Orgasmo merece, prefiro a 'Cavalgada'.

Meu Dia Mundial do Orgasmo e minha homenagem é com esta linda canção de Roberto Carlos que, para mim e acredito que para muitos também, é um Poema fazendo amor.

CAVALGADA (Roberto Carlos)

Por uma estrada colorida
Usar meus beijos como açoite
E a minha mão mais atrevida
Vou me agarrar aos seus cabelos
Pra não cair do seu galope
Vou atender aos meus apelos
Antes que o dia nos sufoque

Vou me perder de madrugada
Pra te encontrar no meu abraço
Depois de toda cavalgada
Vou me deitar no seu cansaço

Sem me importar se nesse instante
Sou dominado ou se domino
Vou me sentir como um gigante
Ou nada mais do que um menino

Estrelas mudam de lugar
Chegam mais perto só pra ver
E ainda brilham de manhã
Depois do nosso adormecer

E na grandeza desse instante
O amor cavalga sem saber
Que na beleza dessa hora
O sol espera pra nascer

Estrelas mudam de lugar
Chegam mais perto só pra ver
E ainda brilham na manhã
Depois do nosso adormecer